Conheça a renda de bilro que veio de Portugal para o Brasil

A renda de bilros é um tipo de artesanato muito tradicional feito especialmente pelos portugueses. Mas como estas lindas peças são elaboradas? O trabalho é feito sobre uma espécie de almofada dura, o rebolo (cilindro de pano grosso recheado de palha ou de algodão, cujas dimensões dependem da dimensão da peça que vai ser criada, coberto exteriormente por um saco de tecido mais fino).

A almofada fica sobre um suporte de madeira, ajustável, de forma a ficar à altura do trabalho daquele que vai fazer a renda, este profissional é conhecido como rendilheira. No rebolo, é colocado um cartão perfurado que é chamado de pique, onde se encontra o desenho da renda, feito com pequenos furos.

Nos furos da zona do desenho que será realizado, a rendilheira vai espetando alfinetes. Estes são deslocados à medida que o trabalho vai progredindo. Os fios são manipulados por meio de pequenas peças de madeira torneada (ou de outros materiais, como o osso), os bilros (veja na foto acima a almofada de renda de bilros).

Uma das extremidades do bilro tem a forma de pêra ou de esfera, isso varia conforme a região em que se encontra a rendilheira em Portugal. O fio ficará enrolado na outra extremidade.

Os bilros são manipulados aos pares pela rendilheira que executa um movimento rotativo e alternado a cada um, orientando-se pelos alfinetes. O número de bilros que são empregados varia conforme a complexidade do desenho.

Em Portugal a arte da renda de bilros tem especial expressão nas zonas de pesca do litoral, com maior atenção para Peniche e Vila do Conde, onde esta arte é extremamente antiga.

A renda de bilro surgiu, segundo alguns pesquisadores, na Bélgica, no século 15. De lá, espalhou-se pela Europa, particularmente para a Itália e França, até chegar a Portugal e ao arquipélago dos Açores, principais centro de produção. Ao virem para o Brasil, os portugueses trouxeram a atividade da renda para enfeitar trajes e alfaias da igreja, além de toalhas, cortinas, lençóis e peças do vestuário da nobreza.

A renda de bilros no Brasil:

Na Ilha de Santa Catarina, a renda de bilro apareceu por influência dos açorianos, no século 18. Enquanto os homens passavam longos períodos na atividade da pesca, com redes artesanais, as mulheres ocupavam o tempo livre tecendo fios em almofadas de bilro. As rendas produzidas eram vendidas no mercado da cidade ou trocadas por produtos de necessidade básica para reforçar o orçamento familiar, numa tradição cultural, passada de geração a geração, e que originou o ditado popular “onde há rede, há renda”.

Entre as rendas de bilro mais conhecidas, produzidas em Florianópolis, estão a “maria morena” e a “tramoia”, ou renda de sete pares, que é considerada um produto típico do estado, produzida principalmente por artesãs do Ribeirão da Ilha, Santo Antônio de Lisboa e Lagoa da Conceição.

Ali, a Fundação Cultural de Florianópolis mantém um núcleo de oficinas de renda no Casarão da Lagoa, transformado no Centro de Referência da Mulher Rendeira, graças ao convênio firmado entre a Prefeitura e a Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro (Acamufec), por intermédio do Promoart.

Saiba mais consultando o site Promoart.

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