Sandálias de Lampião feitas à mão no Ceará conquistaram o mundo

Espedito Seleiro é um artesão que trabalha para a arte de transformar o couro fazendo calçados e acessórios. Ele teve a oportunidade de apresentar sandálias em um desfile da São Paulo Fashion Week. Descendente do artesão que confeccionou sandálias para Lampião, Espedito colocou cores na nova coleção e já conseguiu exportar os calçados para vários países.

Os desenhos das sandálias de Lampião foram guardados pelo pai de Espedito Seleiro e ainda hoje são inspiração para o trabalho do artesão do Ceará. O rei do cangaço era apreciador da arte de decorar as suas roupas e do seu bando. Certo dia, teve a ideia de fazer um calçado com um solado com as partes da frente e de trás idênticas. Era feito para confundir e despistar a polícia que sempre estava no seu encalço. Em 1938 ele encomendou a um conhecido artesão local as novas peças. Fez o desenho de como deveriam ser os calçados.

“Meu pai, o Raimundo Seleiro, estava fazendo uma sela no alpendre de casa, aí chegou um homem e perguntou se ele poderia fazer umas alpargatas de couro com o mesmo material da sela para cavalo. Ele explicou que não era bom nisso, que trabalhava fazendo gibão, chicote, chapéu e sela para vaqueiro, mas aceitou. Depois, quando descobriu que era para o coronel Virgulino, ficou todo se tremendo e nem quis cobrar”, fala, rindo, o mestre no ofício.

As cores das peças de Espedito passou a ser uma de suas principais marcas. Não há como ir ao ateliê e loja do artista no centro de Nova Olinda e não se encantar com a riqueza de tons. O processo de criação desse colorido tem uma história curiosa. “Perdi tempo com isso aprendendo a tingir. Tinha tinta que ficava feia feito urubu. Mas a cor tão feia era a primeira que vendia. Nem é marrom nem é preta. É cor de burro quando foge”, conta.

O sucesso que fez Espedito ganhar o mundo da moda com seus cintos, calçados, bolsas e carteiras multicoloridos acabou se espalhando e ele recebeu uma encomenda como há tempos não havia. Era para fazer gibão, sela, chicote e bota. A indumentária de um legitimo vaqueiro do sertão foi usada pelo ator Marcos Palmeiras no filme “O Homem que desafiou o Diabo”.

Com a profissão do vaqueiro em extinção, os gibões e chapeis do ateliê se tornaram mais uma atração para turista ver, compondo junto com o próprio Espedito e seu local de trabalho uma espécie de cartão-postal. Algo que causa certa melancolia nesse mestre do couro. “Hoje o cabra passa por mim e nem fala. Pensa que eu trabalho só pro povo de fora, e que não sou mais o mesmo. Mas o que eu faço é por prazer, e ainda faça melhor e mais caprichoso se for para um vaqueiro”, diz.

Fonte IG

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