Olivicultura que futuro?

Melhoramento Genético da Oliveira: da casuística da recombinação à tangibilidade dos resultados

António Fernando dos Santos-Antunes, PhD

1 – Os Princípios

Uma breve análise sobre a evolução das diversas plantas e animais que nos servem, directa ou indirectamente, de suporte alimentício e, sob mero aspecto lúdico, de plantas e animais que não sendo alimento são gozo para os sentidos, fácil, demasiado fácil até, é observar que muitos daqueles seres vivos distam da respectiva forma primitiva. E em alguns casos, de maneira tão intensa que descobrir o parentesco deriva mais do saber do investigador do que da observação do leigo. Por isso, é hoje facto assente e de aí tanto o interesse, de que é no melhoramento genético que se sustém os grandes avanços: o girassol que mais do que duplicar o seu conteúdo em gordura se busca agora apresente mais ácido oleico na constituição da sua gordura; a planta do rícino que, cada vez mais rica em ácido ricinoleico, surge agora com um mutante no qual é de realçar um conteúdo em ácido oleico de mais de 80%; são as muitas brassicas que estão sendo alvo de programas genéticos que melhorem a sua performance no que toca a uma maior riqueza em gordura, enfim, muitos são os exemplos que comprovam o que anteriormente foi dito.

Quanto à oliveira, o problema depende um pouco de país para país e, dentro de cada um destes, da disponibilidade de massa crítica suficientemente capaz de criar e liderar projectos organizados na forma e inovadores no conteúdo. Tanto quanto sabemos e no que respeita ao tema em epígrafe, estamos ainda carentes do suficiente apoio – humano e material – que permita e de forma inequívoca, avançar decididamente neste campo para cuja efectivação se necessitam mais meios do que aqueles actualmente disponíveis e que em boa hora nos foram proporcionados.

Mas que sentido tem, afinal, o melhoramento genético na oliveira?

2 – Os Fundamentos

A resposta adequada à pergunta anterior assenta em duas bases fundamentais: em primeiro lugar porque estamos lidando com uma fruteira – aspecto clássico – e, em segundo lugar, porque não se pode fugir à dinâmica das coisas, à insatisfação do Homem – o aspecto conceptual.

Como fruteira, nasce, cresce, desenvolve-se e morre tal como as demais ainda que em muitos aspectos delas se destaque. Contudo, no fundamental, mantém os mesmos princípios de comportamento tal como foi comprovado em trabalhos recentes.

Sob o aspecto conceptual, afinal aquele que mais pode preocupar – e tanto os detractores porque não juntam duas para destruir o conceito, como os defensores que demasiado têm de lutar para impor aquilo que é já senso comum – a questão está longe de ser tão só académica. Antes, prende-se com a sobrevivência de sistemas – o olival tradicional ou o moderno (este que é?) – cujas características gerais não permitem acautelar um futuro no qual apenas parece estar em jogo, simplesmente, a manutenção ou não do regime de apoio à produção! E esta preocupação, naturalmente, implica reparos ou se não mesmo mudanças radicais tanto no que respeita à forma de exploração como à árvore que é alvo dessa exploração – a oliveira.

Estamos em crer que será muito útil referir, porque anda esquecido na mente de muita gente, que a oliveira e para além do mediterrâneo onde ainda pontifica, se está estendendo a outras latitudes. Na América do Norte e também na do Sul – atenção à forma inteligentíssima na forma como os Chilenos estão encarando o olival – mas ainda na África do Sul e na Austrália país cujos avanços no conhecimento da árvore são, no mínimo, espectaculares. E a lista engorda com a China (FAO, 1980), na Índia (Bartolini e Fabbri, 1994) e, curiosamente, no Japão onde já existem colecções de algum germoplasma (Moriguchi et al., 1994), na Tailândia (Fiorino e Lavee, com. pess), tudo terminando em Taiwan local de onde recebemos pedido de informação sobre o processo de germinação de sementes e possibilidades da cultura! Estamos certos, portanto, ao antever enorme dinamismo nos próximos anos.

Não será isto bastante para pararmos e pensar um pouco naquilo que andamos a fazer, naquilo que propomos ao Homem do campo cujas interrogações são cada vez maiores e mesmo nos Projectos que elaboramos e que as mais das vezes são meras repetições daquilo que quase á exaustão se sabe? Ou terá a nossa olivicultura, por ventura, algum tipo de especificidade que nos leve a desbravar novos caminhos? Se há resposta, confessamos que seria útil, bem útil até, que a mesma fosse conveniente esclarecida.

Mas que tem a oliveira de especial? Em primeiríssima mão, tem o azeite cuja generalizada aceitação está obrigando o mundo olivícola a produzir cada vez mais e melhor e tudo isto formatado dentro das normas estrictas da economia de mercado sendo tal uma antevisão da enorme competitividade que está aí ao virar da esquina.

Mas para produzir azeite é preciso ter a árvore, e embora muitos ainda invertam o sentido das coisas, primando a gordura e esquecendo o que lhe dá origem, nós teimamos em começar a história pela oliveira.

Ora esta árvore, a tal que declinou o convite para ser a rainha das árvores porque, disse então, tal lhe roubaria o tempo que necessitava para cuidar dos Homens, é uma e a mesma coisa desde há já muitas centenas de anos. Como já exaustivamente referido, foi o labor dos nossos ancestrais que escolhendo umas em detrimento de outras num perfeito esquema de selecção clonal empírica, definiu e fixou caracteres que hoje se conhecem.

Com origem, muito provavelmente, alopoliplóide, aquilo que é hoje a oliveira com as suas quase 2000 variedades, terminou constituindo manchas olivícolas que são varietalmente diferentes e que abarcam solos igualmente muito heterogéneos. Variando de morfologia, de comportamento agronómico e, claro, no tipo de azeite produzido, uma coisa é porém comum a todas elas: apresentam um potencial frutífero baixo se atendermos à quantidade de flor que emite e nenhuma delas contém em si suficiente bondade para se constituir como excepção. Crê-se que isto está muito relacionado com o local e forma da sua inicial exploração que, como se sabe, se fez em terrenos marginais – os melhores eram para cereais – e em condições climatéricas deveras limitantes com verões quentes e secos.  Ora, nestas condições e se pensarmos no limitado espaço geográfico em que o azeite era consumido e que uma maior demanda era satisfeita por ocupação de solos de má qualidade, a evolução da árvore seguiu e na sua essência, o imposto pela sua própria natureza: especial conformação da folha e disposição dos estomas, sistema radicular sectorizado, grande capacidade de regeneração como é de todos conhecido e, naturalmente, abundante produção de flores como forma de precaver desastres e assim garantir o processo vital.

E hoje, quer se queira quer não, as árvores que conhecemos continuam a ser caracterizadas da mesma forma porque geneticamente nada de fundo se alterou. Pensar, como alguns ainda pensam, que o que hoje temos são variedades constituídas por indivíduos geneticamente diferentes (populações policlonais), e de aí partir para supostas vantagens adoptando o método da selecção clonal é, nos dias que correm e face ao já estudado a propósito, uma pura perda de tempo como mais adiante se verá.

Em suma, todos (os avisados), são conscientes de que a oliveira tal como está não se coaduna com a dinâmica que se está tornando cada vez mais visível e que nessas condições se impõe um novo modelo, se impõe uma nova concepção para a olivicultura. Independentemente de outros temas de grande actualidade e interesse, mas todos consubstanciados no completo e exaustivo estudo de cada uma das variedades, já no aspecto varietal caberá enveredar, decisiva e sem contemplações, na via no melhoramento genético por cruzamento o qual se espera possa muito brevemente ser coadjuvado pelas técnicas da biologia molecular.

3 – A casuística da recombinação

É totalmente certo que o método proposto, o cruzamento, tem tanto de casuística como de ineficácia tem o método da selecção clonal.

O primeiro, de facto, porque de aplicação e generalização recente e embora ultrapassadas algumas barreiras, ainda depende bastante do jogo genético da recombinação casual sendo de presumir que o recurso à ferramenta que é a biologia molecular possa acelerar o processo. Com efeito, o simples mas importante passo que é associar bandas a características agronómicas de interesse, pode facilitar muito a selecção.

O segundo, por duas ordens de razões: em primeiro lugar por admitir variabilidade genética em indivíduos da mesma população varietal e, em segundo lugar, porque os ganhos não justificam as exigências temporais do método.

Mas para melhor entendimento dos presentes façamos uma análise mais detalhada do assunto.

Basicamente, a selecção clonal clássica consiste em escolher, numa população morfologicamente bem identificada e isto é importante que seja tomado na devida conta, um conjunto de indivíduos que destaca pela produtividade, por ex., e que irá receber o nome de cabeças de clone. Este primeiro passa implica, naturalmente, que de dita população exista um registo de dados capazes de suportar a nossa escolha.

Como se pode depreender e porque a produção é uma característica muito provavelmente poligénica e por isso mesmo um carácter agronómico extremamente flutuante, a única forma de diminuir – que não é o mesmo que fazer desaparecer – o erro experimental das avaliações, é dispor de dados de quantos mais anos melhor. Começamos, portanto, com a exigência de um largo período de observações prévias. Depois de previamente escolhidos, o passo seguinte será a sua multiplicação no sentido de se obterem verdadeiros clones que então irão ser submetidos a ensaios comparativos. À semelhança do caso anterior, serão necessários uns tantos anos mais até que possamos, definitivamente, ter nas mãos um clone que estatisticamente destaque dos demais. Em suma, quanto tempo para tudo isto? 10 anos? 12? Bom não importa mas seguramente é necessário muito tempo.

Recentemente, contudo, aparece uma variante a este método cabendo, portanto, a pergunta: e segundo que bases?

Antes de seguir um repasso bibliográfico com a pergunta: que é afinal um clone?

Um clone, por definição actual e depois de muitas reuniões e discussões a propósito, nada mais é do que um conjunto de indivíduos geneticamente homogéneos ou heterogéneos mas fenotipicamente idênticos e que descendem de um mesmo indivíduo por propagação assexuada. A alteração da definição, levando-a a aceitar a heterogeneidade genética do ou dos indivíduos terá resultado da aceitação de própria evolução das espécies e no caso muito provavelmente devido a possíveis mutações. Tendo origem em cruzamentos naturais e aleatórios inclusive entre espécies diferentes, o que hoje se conhece como a Olea europaea não é se não um conjunto de variedades estabilizadas que se distribuem à volta do seu lugar de origem e isto devido, essencialmente, ao tamanho dos propágulos então utilizados. Estamos, pois, perante indivíduos que outra coisa não são do que clones de outros que destacaram pelas suas características. No que se refere a mutações, e ninguém aqui está pondo de parte a sua ocorrência, cabe referir que já nos anos 70 foram detectadas e quantificadas algumas mutações nas variedades Frantoio e Leccino nomeadamente ao nível morfológico. Nestas condições, estes indivíduos provenientes de uma mutação e ainda que morfologicamente distintos, enquadravam-se perfeitamente dentro da noção de clone já que mantinham similitude entre si. O facto de a folha ser ligeiramente diferente ou o peso do caroço ser em 0,18 gramas superior aos seus congéneres, não era bastante para se considerarem como novos indivíduos já que a similitude fenotípica estava bem patente.

A proposta de uma variante ao método clássico da selecção clonal assenta e tanto quanto é do nosso conhecimento o respectivo material de partida, na aceitação de que na Galega o que podemos ter por diante é uma variedade policlonal. Essa “policlonia” constitui hoje uma colecção de trabalho e dela dispomos de amostras dos respectivos endocarpos. E que nos indicam esses caroços? Simplesmente traduzem uma extremada variabilidade e de cuja observação de imediato nos fazem levantar dúvidas. Estaremos presentes coisas diferentes (onde até cabe existir a Galega) cuja afinidade é só o nome? Ou, contradizendo esta opinião, é a ‘Galega’ e citamos o que lemos, até pelo desplante, “uma linha pura desde o tempo dos Romanos” f. de citação? Pois nem uma coisa nem outra e se assim fosse constituiria Portugal uma verdadeira excepção no mundo olivícola. Ora a excepção, meus Senhores, vai eventualmente noutro sentido

Como quer que tudo seja, não só os factos nos fazem afastar da definição antes referida de clone como, por análise molecular levada a cabo sobre aquela suposta população, outras e mais sérias criticas podem ser feitas. Será que é possível e assim tomar como base explicativa e justificativa do método, que a variabilidade genética destes supostos clones ‘Galega’ é maior do que a existente entre variedades diferentes? Ou estaremos nós repetindo os mesmos erros dos italianos em que numa suposta colecção de clones de ‘Frantoio’ foi detectada uma variabilidade maior do que aquela encontrada entre 17 variedades de distinta proveniência ou entre 51 variedades provenientes de 9 países e presentes no Banco de Germoplasma de Córdova? Como é possível, então, tanta variabilidade genética em tais supostos clones de Galega? Não constituirão já aviso bastante os trabalhos de investigadores em Espanha com a ‘Manzanilla’,  em Marrocos com a ‘Picholine Marrocaine’, na Austrália com ‘Manzanilla’, ‘Verdale’, ‘Frantoipo’, ‘Kalamata’ e ‘Picual’ em que, para todos os casos, o material apenas tinha de comum o nome? Parece-nos pertinente perguntar, por conseguinte, para que serve a bibliografia? Ou será que ela foi ou é incómoda quando se constitui num entrave aos trabalhos da nossa capela? Possivelmente será isso, mas desde já afirmamos e para não pactuar com erros, que não deveria ser e isto vai tanto para quem elabora o projecto como para quem está encarregado de o avaliar. É que uma coisa é a liberdade do investigador, de que ninguém duvida, e a outra é o consumo de recursos financeiros, que todos nós sabemos são escassos, em insensatas e incompletas propostas de trabalho de nula aplicabilidade à realidade rural deste país. Jamais e em lugar nenhum, a quantidade valeu mais que a qualidade. Salvo para as estatísticas.

Posta esta breve e necessária quebra nesta nossa convers, retomemos o melhoramento por cruzamento.

Pois bem, pese embora prevalecer a casuística quando se cruza AxB devido, como se sabe, ao fenómeno da segregação, não menos certo é o facto de em progénies já estudadas se ter observar uma enorme variabilidade o que eventualmente nos dará possibilidades de escolha. Mais concretamente, em trabalhos efectuados em Córdoba, observou-se que em 126 genótipos que frutificaram em 1996-97, o parâmetro “azeite em polpa seca” apresentou uma variabilidade igual àquela que se observou entre 26 variedades do Banco de Germoplasma de Córdova.  Ainda nos genótipos atrás mencionados, observou-se que a precocidade de entrada em floração tem correspondência directa com os respectivos progenitores, o mesmo acontecendo a outras características como rendimento e força de retenção do fruto.

Ora, tudo isto outra coisa não prova e ainda que sujeitos à casuística, se não  que é possível esperar o aparecimento de genótipos interessantes já seja porque em determinada característica destacam ou mesmo porque podem  constituir-se em progenitores úteis a utilizar em cruzamentos posteriores.

4 – A tangibilidade dos objectivos

Tem ainda peso a metodologia clássica do cruzamento seja este dentro da mesma variedade ou fora dela, mediante embolsado de ramos, com posterior recolha e transposição de pólen. Como quer que tudo seja, o que hoje é, perdoem-nos a palavra, pura rotina, outra coisa não foi se não o resultado do aprofundamento de estudos parciais e sequenciados: como fazer germinar a semente no mais curto espaço de tempo (nisto a polpa não interfere ao contrário do que já ouvimos referir numa reunião pública!)? Determinar se há ou não fenómenos de dormência e como anulá-los; como e em que condições forçar o crescimento para reduzir o período juvenil da oliveira; que características podiam passar às descendências por via genética, etc.

Como se pode ver, cruzar inter ou intra espécies é, simplesmente, buscar variabilidade donde o nosso grande espanto ao encontrarmos publicado (erro crasso do revisor de texto que deixou passar a asneira) que o cruzamento bem poderia servir para propagar clones fazendo germinar as suas sementes que por sua vez eram provenientes de autopolinização!!!!! Meu Senhores, onde vamos nós parar com tanta enormidade?

Relativamente à germinação das sementes, bastou com que se removesse o endocarpo para que todo o processo conduzisse a taxas germinação muito elevadas e isto independentemente da cultivar. Hoje, porém, fazendo alterar a temperatura de germinação de 14 para 25ºC consegue-se um maior desenvolvimento da radícula e com isso maior êxito nos transplantes.

Quanto ao crescimento forçado, a sua importância estava directamente relacionada com a redução do período juvenil da oliveira, habitualmente variável, de 10-15 anos, facto que por si só constituía um constrangimento importante.

Pela importância do tema, diversos autores procederam ao seu estudo. Forçaram o crescimento no campo com fertirrigação e um especial tipo de poda o que conduziu a que parte das plantas produzissem flores ao 4-5º ano contado desde o momento da plantação. Em Espanha, Clavero e Pliego (1993), conseguiram que 30% das árvores florescessem ao 4º ano sempre e quando as plantas permanecessem em estufa durante 18 meses em condições de fotoperíodo contínuo. Ainda naquele mesmo país, uma equipa da Universidade de Córdoba consegue, mediante fotoperíodo suplementar, poda específica (manutenção dos lançamentos laterais cujo comprimento não excedia 10 cm) e utilização de um progenitor muito precoce, que 24% das plantas produzissem flores 28 meses após a germinação das sementes alterando procedimentos pontuais nos quais o mais importante era a poda.

Este trabalho, para além de permitir avaliar a bondade da oliveira quando posta a crescer sob condições irrepreensíveis – rega, adubação, cuidados sanitários –  colocou posteriormente  em evidência o seguinte:

a)        Na fase inicial de campo, é possível pré-seleccionar genótipos interessantes.

b)       Foi registada uma grande variabilidade nas progénies como por exemplo no parâmetro azeite em matéria seca. Com efeito, em 126 genótipos aquele valor teve uma variação igual à de 26 variedades do Banco de Germoplasma de Córdova.

c)        As percentagens de árvores que emitiram flores indicam que a precocidade de entrada em floração tem correspondência com os respectivos progenitores, o mesmo acontecendo a outros parâmetros que como a força de retenção do fruto e azeite em matéria seca, se transmitiram dos progenitores às progénies.

d)       A redução do período intergeracional obtida por forçado de crescimento adequado e eleição específica dos progenitores, possibilitou avaliar convenientemente bem as primeiras progénies 5 a 6 anos depois de germinadas as respectivas sementes e, mais importante ainda, utilizar esses genótipos em novos cruzamentos. Não é utópico, portanto e se o método for optimizado, pensar que em 2-3 anos é possível iniciar uma selecção por características do fruto e em 3-4 anos avaliar uma geração no campo e daí partir para novos cruzamentos.

Os quatro pontos anteriores englobam um conjunto de conhecimentos suficiente para se poder responder, aqui e agora, que a tangibilidade dos resultados é uma realidade possível e que como tal não pode ser mais omitida ou sequer escamoteada.

Há muito caminho pela frente, há noções que requerem estudos mais profundos, existem por certo melhorias a introduzir na metodologia adaptada, há todo o campo da biotecnologia por explorar. Tanto quanto possamos imaginar, sobretudo quando se tem perfeita noção do dinamismo com que alguns países encaram o estuda da oliveira, somos do parecer que em tal árvore subsiste, ainda, um conjunto de potenciais conhecimentos que urge descobrir uns e aprofundar outros. É que parece inevitável que só dessa forma podemos ter mais hipóteses de alinhar com aqueles que vão na frente como, também, encontrar metodologias ou acertar actos de natureza fito técnica capazes de constituírem, de forma clara e inequívoca, uma verdadeira transferência de tecnologia. Esta vertente, a par naturalmente de outras, constituirá e no nosso entender, a única forma de tornar sustentável e economicamente viável o cultivo da oliveira em Portugal sempre e quando se abandonem os sistemas tradicionais de cultivo.

De facto e com isto terminamos, é tempo já de dar à oliveira o estatuto de fruteira que lhe é devido e, nessas circunstâncias, simplesmente, inovar nos conceitos e fazer incorporar na cultura adequadas e racionais tecnologias de forma a retirá-la definitivamente de um sistema agrário ainda entre nós demasiado vinculado a princípios empíricos. O conhecimento dos recursos genéticos, a sua exploração e respectivo melhoramento, constituem o paradigma da mudança de mentalidades que urge ocorra entre nós. Trabalhando nestes termos, inovando ou aperfeiçoando o conhecimento das coisas da oliveira, sobretudo as respeitantes à sua base comportamental que tantos buracos negros ainda apresenta, é sem sombra de dúvidas o caminho que nos deve, a todos, merecer atenção redobrada. Tudo o resto, estimados Senhores, está escrito em manuais onde naturalmente em nenhum deles se reconhece a paternidade da ciência olivícola portuguesa. Temos especificidades, é certo, mas serão elas assim tão marcantes que nos levam a trilhar outros caminhos? Decididamente não acreditamos nisso.

Numa sociedade em que cada vez se procura mais e mais informação, a omissão dos conhecimentos já disponíveis e com eles a imposição de conceitos e propostas tantas vezes irreais, pode originar que se cave ainda mais o fosso entre a nossa realidade e a realidade daqueles que decididamente apostaram pelo contrário. Países como a Austrália ou Chile bem podem ser exemplos a seguir. O primeiro pela proverbial carga de profissionalismo colocada nas suas acções ou não fossem anglo-saxónicos, e o segundo, ainda que de outra esfera cultural, pela inteligência do seu programa olivícola onde de uma forma correcta concluíram que se qualidade é uma exigência, não menos importante será cuidar, também, dos aspectos económicos assunto que consideram prioritário já que sabem perfeitamente bem o quanto a competição vai ser feroz.


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Por: Arteblog - RafaelEm: setembro 19, 2009 | Em Agricultura  | Tags: , ,  

2 respostas para “Olivicultura que futuro?”

  1. José Lu&iacut disse:

    Um abraço estou aqui na INRB-Olivicultura e fiz sem grande esperança uma busca sobre diminuição do período juvenil e encontrei este seu artigo que ainda não li.

    Ainda lê os blogs dedicados a Elvas?

    Um abraço!

  2. sandrini disse:

    Curioso como há tanta coisa sobre a oliveira para lá dos lugares comuns que se podem ler na net…parabens mesmo…já copiei e imprimi